Princípios do Confucionismo
InicianteKong Qiu, conhecido no Ocidente pelo nome latinizado que os jesuítas lhe deram — Confúcio —, viveu entre 551 e 479 a.e.c. no estado de Lu, durante o período das Primaveras e Outonos, quando a autoridade do rei Zhou havia se dissolvido em cortes rivais. Ocupou cargos menores, reuniu discípulos e não deixou nada escrito de próprio punho: os Analectos (Lunyu), o texto ao qual este curso volta o tempo todo, foi reunido por seus discípulos e pelos discípulos destes ao longo de gerações depois da sua morte, de modo que cada linha é apresentada como 'os Analectos registram' ou 'atribuído a Confúcio', nunca como algo que ele tenha escrito. Se o resultado é uma religião é uma disputa acadêmica viva, não uma pergunta que este curso resolve: a tradição manteve o ritual e a veneração dos ancestrais sem um deus criador ou um clero de tipo teísta, e os historiadores da religião se dividem sobre como chamar isso. O curso acompanha quatro ideias às quais os Analectos voltam — ren 仁, o vínculo humano entre as pessoas; li 禮, o ritual e o decoro que mantêm unidos uma casa ou um estado; xiao 孝, a devoção devida aos pais e aos ancestrais; e yi 義 ao lado de zhi 智, fazer o certo sem calcular vantagem e o discernimento para distinguir isso — junto com junzi 君子, a pessoa exemplar que a tradição propõe como modelo, e shu 恕, a reciprocidade por trás de Analectos 15.24, 'não imponha aos outros o que você não deseja para si': uma regra de prata, negativa na forma, nunca fundida com a Regra de Ouro cristã. Relata onde a tradição discorda de si mesma: Mêncio (Mengzi, c. 372-289 a.e.c.) sustentava que a natureza humana tende ao bem; Xunzi (c. 310-235 a.e.c.) sustentava que ela precisa ser moldada deliberadamente; séculos depois Zhu Xi (1130-1200) e Wang Yangming (1472-1529) reconstruíram a escola novamente como neoconfucionismo, em termos que Confúcio nunca usou. Acompanha a tradição até o governo: a adoção sob o imperador Wu de Han com o estudioso Dong Zhongshu no século II a.e.c., os exames do serviço público (keju 科舉) construídos sobre os Quatro Livros e os Cinco Clássicos, que vigoraram das dinastias Sui e Tang até sua abolição em 1905. Acompanha a tradição rumo ao Ocidente: o jesuíta Matteo Ricci e seus colegas, o nome latinizado impresso pela primeira vez em 1687, Leibniz e Voltaire citando a China em argumentos do Iluminismo, e a rejeição que se seguiu no século XIX vinda de Hegel e, depois, de Max Weber. E acompanha o século XX como algo disputado, não resolvido: o ataque do Movimento de Quatro de Maio contra Confúcio em 1919, a campanha Criticar Lin, Criticar Confúcio de 1973-76, o renascimento depois dos anos 1980, os Institutos Confúcio abertos a partir de 2004, e a tese disputada de que a cultura confuciana explica o crescimento econômico do Leste Asiático. Xiao não recebe tratamento suave: os Analectos e o Clássico da Piedade Filial exigem que um filho repreenda um pai que está errado, e o curso expõe os custos que os próprios críticos da tradição, dentro e fora dela, apontaram — a hierarquia rígida, a subordinação das mulheres, as Três Obediências. Sem sabedoria ancestral, sem misticismo, sem instrução para crer: apenas o que os confucionistas argumentaram, e por que outros discordaram.
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